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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PORTUGAL - ENCONTRO DA MINHA LÍNGUA
Paulo Tolentino de Souza Vieira,
Porto, Portugal, agosto de 2017.

Não precisa ser exímio linguista, nem muito afeito à fina gramática portuguesa - absolutamente, não sou! -, para, retornando a Portugal, me deliciar - entre muitas coisas - com variações linguísticas sentidas por mim, um falante do bom “baianês”. Basta pouca atenção e, evidentemente, gosto pelo assunto!


É um “passeio” pela linguagem de Portugal, na cidade do Porto, numa sensação prazerosa, como se eu estivesse a aprender um novo e rico idioma, que, na verdade, nada mais é do que é o meu nativo. Muito bem falado.  ...e escrito, por sinal!

Na cadência do falar, no sotaque e pronúncia, percebe-se certa sibilação, que muito lembra o nosso “carioquês”, especialmente o usado nas regiões centrais do Rio. Caracteriza-se, também uma cerração de lábios, como se estivessem a proteger-se dos choques térmicos das baixas temperaturas. Aceleração no ritmo é, tradicionalmente, das características mais notadas. O hábito da contração das primeiras vogais (a ou e), ou mesmo deixá-las como mudas, quando iniciais, como nas palavras Kfé (Café), Spato (Sapato), Puis (Pois), Stá (Está), Psoa (Pessoa), Prtugal (Portugal), Culega (Colega), soam como numa música (Lsboa, bela cdade…). Um encanto à parte!

Nisso tudo, a minha nostalgia, retorna, ao modo do falar do meu querido avô paterno, Antoninho Vieira, que embora não fosse um autêntico lusitano de berço, muito estava influenciado culturalmente pelo convívio de 3 irmãos, seus amicíssimos, de uma família portuguesa, que quase o tinha quase como mais um deles, desde a juventude, a família Ruas, cujo ramo baiano muito cresceu e prosperou. A esse propósito, lembro, também desse som saboroso, pelo o reforço cultural que tive pouco mais tarde, por meio de grandes e importantes contatos continuados que meu pai, Oldegar Franco Vieira, professor universitário, fez  com colegas portugueses, em missões de intercâmbio cultural e diplomático, colegas estes que se transformaram em amigos queridos de toda nossa família - contatos que, como adolescente, participei curiosíssimo! Toda essa recordação reavivada tocou muito profunda e agradavelmente à minha emoção.



No vocabulário usual daqui, percebo o uso muito frequente de palavras que já nos vão em desuso ou em vias disso. Arrisco-me a perceber esse fenômeno, como um maior fidelidade à etimologia original.

Outras Estruturas soam peculiares, como o uso dos verbos no infinitivo, com preposição, para estabelecer continuidade durante o presente, ao invés usar de gerúndio, como nós fazemos. Por exemplo: Estás “a falar”, ao invés de Estás “falando”. Evitam, também, outras formas próximas do gerúndio, como: ´Atenção ao “fecho” automático’, em lugar de ‘atenção ao “fechamento” automático’.

No vocabulário aqui usual, vejo também que as palavras, usadas no Brasil, são, geralmente, as mesmas, ou guardam construção etimológica análoga. A frequência do uso de certos vocábulos, ao invés dos seus sinônimos que adotamos é que marca uma preferência lusitana por certas formas, que nos parecem novas, ao menos no cotidiano!

Referindo-se a transportes, encontramos formas como: AVIONETA (Teco Teco), ATERRAR (Aterrissar), DESCOLAR (Decolar Avião), CADEIRA (Poltrona - de avião), AUTOCARRO (Ônibus), COMBOIO (Trem), ELÉTRICO (Bonde) METRO (Metrô), PARAGEM (Ponto de embarque e desembarque), PORTAGEM (Pedágio), GARE (Estação ferroviária), PASSADEIRA (Faixa de Segurança), PEÃO (Pedestre), PEDONAL (de pedestres), CARRINHA (Automóvel-Van ou Furgoneta), ALCATRÃO (Asfalto), CAIS DE EMBARQUE (Plataforma - Ferroviária).

Nas compras, vem: LOIÇA (Louça), CAMISOLA (Camisa ou camiseta), CUECA (Cueca ou calcinha), Peúga (Meia para os pés),  GELADO (Sorvete), PAPEL TOALHA (Papel higiênico), PAPEL HIGIÊNICO (Papel Higiênico), ÁGUA FRESCA (Água gelada), CAIXILHARIA (Esquadrias), LAVANDARIA (Lavanderia), PREÇÁRIO, Lista de preços, CAFETARIA (Cafeteria), PREGO (Bife no pão), GALÃO (Copo de Café com Leite), FIAMBRE (Presunto), REMODELAR (Reforma - de casa, por exemplo), PLADUR (Dry Wall - Estuque),

Lidando com a burocracia, aparecem: CONCELHO (Município), FREGUESIA (Bairro), CÂMARA MUNICIPAL (Executivo e Legislativo de um Concelho), JUNTA (Unidade administrativa de uma freguesia), DISTRITO (Estado - apenas referência territorial - não há instituição executiva nem legislativa), INCOMODAR (Ativar, desacomodar, usar - uma instituição ou repartição pública), IMPOSTO MUNICIPAL (IPTU - só), TERRITORIAL (Relativo a todo o país continental), EQUIPA (Equipe), CONTROLO (Controle), PLANEAR (Planejar), REFORMA (Aposentadoria), COMPROVATIVO (Comprovante), MORADA (Residência), GABINETE (Escritório), UTENTE (Usuário), DESCONFIAR (Não suspeitar, nem confiar), ALEGADAMENTE (Supostamente).

Falando de pessoas, surgem: IRRESPONSÁVEL (Desobrigado - somente isso, sem conotação depreciativa), DESCONFIAR (Não suspeitar nem confiar), GAJO (Cara - rapaz), RAPARIGA (Moça Jovem), LESADOS (vítimas), PÍCARO (Malandro), PUTOS (Crianças - somente no masculino ou coletivo. - nunca no individual feminino, por favor!), MIÚDOS (Crianças).

Sobre lugares e outras sutilezas:  RELVA (Grama) RELVADO (Gramado), PRACETA (Pracinha), ARMAZÉM (Depósito), SÍTIO (Local), LÁ (Aí ou ali), CÁ (Aqui), SEIS (Meia dúzia), TELEMÓVEL (Telefone Celular).
O EURO! Não posso deixar de me referir às unidades de valores monetários, pelo muito que contribuem para a perfeito entendimento da maioria das grandezas envolvidas na linguagem. Como a moeda da maioria dos países europeus, o Euro costuma ter uma valorização muito superior ao Real, do Brasil, sempre que atribuímos um valor econômico a algo, necessitamos estar sempre elaborando raciocínios parecidos com os de uma tradução linguística para clarificar suficientemente o tamanho do que estamos falando.


Enfim, à título de comentário de fechamento deste texto, mas, nunca, da reflexão sobre tão importante assunto, Percorri pequenas veredas de um imenso espaço que é a linguagem básica de uma cultura de união entre povos parentes, não somente pelos laços de origem, como por uma vivência amiga, sempre facilitada por uma comunicação marcada por elevada carga de sentimento - não é a toa, que o significado da nossa palavra “saudade” não encontra uma versão perfeita em significado, em qualquer outra língua do mundo.

Saudade! Deus me permitiu que, brasileiro de berço, viesse a abrandar tal sentimento atávico, agora me aproximando daquela que também é, como uma mãe terra, e do seu povo o lusitano.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

ESTÓRIA DE LONGE, E REALIDADE DAQUI!

Por Paulo Tolentino de Souza Vieira
Administrador - aposentado

Lembro-me de uma estória contada pelo meu pai sobre um menino holandês (o velho contava lendas, ou inventava estórias infantis, para nos entreter, e daí, passava valiosos ensinamentos a mim e meu irmão).

Aquele menino holandês ia passando por um dique, onde havia um pequeno furo vazando um filete de água. Sabia que aquilo rapidamente poderia se transformar em desastre. O que fez? Sentou-se ao lado do furo e tapou-o com o dedo... Esperou que alguém passasse, para que pedisse socorro. Ao cabo de algum tempo, não deu outra! Alguém passou, a quem, relatado o problema, pediu que fosse avisar à polícia. Veio o socorro e à tempo, enquanto tratava-se de problema simples, tudo foi consertado, evitando assim um desastre de grandes proporções e custos inimagináveis, além de perda de vidas. Aquele pequeno vazamento, com certeza, se continuasse, aumentaria, até se transformar rapidamente numa ruptura do dique de graves consequências, com prejuízo de alagamento de uma grande área habitada.


Com essa estória, uma fábula, meu pai, nos mostrou, desde cedo, que é sempre “melhor prevenir, do que remediar” os problemas; e além disso, me ajudou ainda mais, comentando e ensinando que muitos problemas, quando contidos no seu início, ou enquanto ainda são pequenos, podem ser evitados ou resolvidos sem grandes esforços, ou maiores sofrimentos; ponderou que, quanto antes melhor, pois “problemas ampliados, esforços redobrados”.
Daí, a vida, me convenceu que “problemas não solucionados” são que nem lixo: ou trata logo, ou o tempo leva à progressiva e Inevitável podridão! Cabe, deste modo, avaliar-se logo as possíveis consequências de cada problema, e, quando for o caso, resolvê-los, ou encaminhar as melhores soluções. Sempre!

Anos após, já estudante, e em seguida, profissional iniciante em Administração, pude valorizar tudo aquilo que havia aprendido desde criança, assim como me concentrar na busca de técnicas de: análise das circunstâncias de momento, e melhores alternativas para tratá-las, no rumo da obtenção dos melhores e mais desejáveis resultados.

Vejo, agora a realidade brasileira e resolvo expor minhas ideias, ante esse “nó de Górdio”, que o cidadão brasileiro se depara, com visão disciplinada e isenta de influência ideológica, e, mesmo sem estar  em nenhuma investidura formal da sociedade, apenas como expectador e brasileiro, e cidadão munido de boa vontade (tenho certeza), e vivências complexas acumuladas.

Tudo isso volta a minha memória, refletindo que “o furo do nosso dique não foi tapado” no devido tempo. Fomos tíbios, ociosos, ou mesmo inadvertidos, reconheçamos! Nos iludimos várias vezes: entre outros equívocos, apostamos que estávamos “contendo vazamentos” com uma simples alternância ideológica radical no poder, foi pior, o “vazamento aumentou”! Insistimos, buscamos a saída mas natural e fácil, um impeachment, com substituição natural pelo vice. Deu no que vemos! Agora dá para perceber que a repetição desses erros nos conduzirá a erros piores, pois as alternativas existentes, via um parlamento viciado e vicioso, somente nos levaria a somente eternizar a vazamentos no nosso já fragilíssimo dique! A Operação Lava-Jato e outras congêneres, derivadas desta, ou não, já nos mostram suficientemente, que não há saída possível, tratando-se do mesmo sistema político, e das pessoas formadas e viciadas nele.

Impõe-se pois, tratamento rigoroso, eficaz e rápido (com início o mais imediato que possível). Não temos direito a novos erros, pois a ruptura do dique se torna muito visível e iminente!
Num momento dessa gravidade não há espaço para amadorismos nem aventuras! Temos que adotar a saída constitucional e pacífica, que se nos apresenta como legítima!
Nossa Constituição, já remendada, mais de uma centena de vezes, parece que começa a se esgarçar perigosamente, mas ainda mostra dispositivos usuais para uma saída, em casos de graves crises institucionais. Não é o que estamos vendo?

Vamos, então, utilizar o recursos que nossa velha Carta Magna ainda pode nos oferecer.
Conclamo a atenção para isso da Ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, corte legítima para interpretação da letra constitucional.

sábado, 29 de abril de 2017

Greve “geral” do dia 28 de abril de 2017 - Uma avaliação do que se viu.

Greve “geral” do dia 28 de abril de 2017 - Uma avaliação do que se viu.

Tratou-se de um momento em que dirigentes de mais de 15 mil sindicatos do Brasil se viram ameaçados de perder a mais escandalosa “boquinha” imposta, aos trabalhadores, pela burocracia brasileira. Com a extinção do chamado ”imposto sindical”, não haveria fôlego para financiar essa minoria, que não raramente  alguém saberia fazer mais nada, com alguma duvidosa eficácia, do que  semear conflitos e desordens para se justificar como atuantes, em um movimento sindical no Brasil. Muitas dessas  lideranças, que diuturnamente vivem se conflitando, eventualmente tratam de oportunisticamente convergir para, conjuntamente, “convocar” uma contraditória greve geral no último dia 28 (ontem), cuja proposta - que também se pode entender como ameaça - seria a de “parar todos os trabalhadores do país” mostrando uma posição contrária para reformas políticas que vêm sendo gestadas, há muito, e desfrutando do “silêncio obsequioso” deles mesmos.

A contradição, no campo da lógica, que é a maior e mais flagrante, consiste exatamente na proposta de “todos” pararem, como eles rotularam, “parar o Brasil”. Eles mesmos, e seus contratados - empresas contratadas e empregados, motoristas de ônibus, equipes de “caminhões de som”, fornecedores e “fazedores” de sanduíches de mortadela” e todos os integrantes de uma complexa logística se mobilizaram e trabalharam para fazer exatamente o oposto, “trabalhar duro (?)” e muitas vezes, não remunerados, ou assim o sendo, por valores irrisórios. O Brasil não parou, nem em decorrência do trabalho deles, nem pelo seu insucesso de conseguirem parar uma outra imensa maioria dos demais trabalhadores.

A outra contradição, desta vez, na esfera política, consiste no fato de virem convivendo, também em “silêncio obsequioso” com a intenção governamental de agredir o trabalhador com uma verdadeira “quebra de contrato” no conteúdo dessa reforma previdenciária que aí está, desde muitos governos anteriores, na reforma trabalhista, que se põe na frente dos brasileiros, paira uma contradição política ainda maior: Sempre os sindicatos atuaram, alguns até de modo exclusivo, no patrocínio e em representações de trabalhadores, para celebrarem acordos coletivos com seus patrões, visando regular as respectivas relações, enquanto na atividade laboral. Ai, os sindicatos sempre procuraram valorizar, manter e melhorar, segundo a ótica própria, os acordos dos empregados com os patrões, como ditame maior. Vem agora a contradição; A ênfase maior da reforma trabalhista que o governo procura patrocinar é justamente na valorização absoluta daqueles acordos dos quais, e nos quais, os sindicatos sempre colocaram como de elevado espírito nas relações trabalhistas. Por que aqueles acordos, que tanto valorizavam, agora deixariam, contraditoriamente, de ser eficazes?

Por esses e muitas outras contradições é parece que as causas verdadeiras - porém mal ocultadas, de tanto tumulto não sao bem essas, as reformas que o governo provisório (porque investido apenas para cumprimento de final de mandato)  tristemente preconiza. Sou movido a interpretar essa ação tumultuadora e conflituosa a uma causa básica, senão motivação única, ou principal:
Se os sindicatos procurassem mobilizar o ânimo coletivo para se colocar contra a extinção de famigerado e chamado “imposto sindical”, certamente poderia criar uma revolta às avessas: de todo o povo contra eles. Estou certo que a maioria quase total dos trabalhadores não aceita, nem se conforma em ver compulsoriamente, subtraído de sua mesa, da educação de seus filhos, da qualidade e vida, sua e de sua família, mais um dia de trabalho, acima da carga fiscal que já suporta correspondente ao seu esforço de cinco dos doze meses do ano.

Realmente é revoltante essa imposição (com cara de imposto), que obriga a TODOS os que trabalham a sustentarem (não raro, regiamente, repito) equipes sindicais para ficar em simples prontidão (submissa a aqueles governos que administram seus pagamentos de gordas verbas, não sujeitas a qualquer controle ou fiscalização - de fato, findos perdidos, mesmo) - vindo a se mexer apenas quando a sua realidade e interesses pessoais se vejam postos em cheque.
Surge uma proposta de reforma de lei trabalhista, como já acima comentado, mas que embute em seu conjunto, com muita justiça, a extinção desse imposto que movimenta bilhões de reais por ano e que sustenta mais (15.000) quinze mil sindicatos em todo o país, enquanto nos demais países, os mais sindicalizados pouco possam de uma centena, e na alemanha não chega a 100 (cem). É o bastante para que nossos dirigentes sindicais, essa injustificável massa “pseudo operária” (pois não pega no batente) se ponha em polvorosa, tentando por todos os meios possíveis, mobilizar uma população, em seu proveito, incluindo aquela antiga reforma previdenciária como bandeira, essa sim com poder de alguma mobilização, contra a qual se omitiu de agir por tanto tempo e até agora, tomando como mero pretexto oportunista para sensibilizar mais trabalhadores, aqueles desatentos, aos reais e interesseiros objetivos  dos dirigentes sindicais temerosos da extinção, ou emagrecimento radical daquele fundo que os vêm sustentando em suas farras e boas vidas.

O que vi:
Esperavam eles reunir, para registros fotográficos, e de mídia, para posterior uso como  mecanismos de pressão, mostrando poder de aglutinação popular e de formação de opinião coletiva, e usá-lo como forma de “negociar” com o poder constituído, algum abrandamento das regras, começando por sua indesejável extinção do tributo ao trabalhador a quem, ao invés de tentar manter um ônus injustificável competiria defendê-lo.

Mas o que se observou, mediante os registros fotográficos e vídeos da imprensa foram::
  • Muitas fotos de pequenos grupos, dispersos, obstruindo passagens de veículos, com ocupação de pistas por pedestres, muitos sentados ou deitados e com pneus velhos em combustão, estações de transporte público e acessos de pessoas para impedir sua chegada ao trabalho - violência evidente aos direitos de ir e vir além da livre opção de trabalhar, tanto quanto é livre o direito de fazer greve. Isso com a sempre leniência dos governos, que dispõem de suas forças de segurança pública, exatamente para que possam garantir a todos os cidadãos, o livre exercício dos direito da cidadania.
  • Muitas fotos e vídeos de arruaças e depredações de patrimônio público e privado, com violência desproporcional dos manifestantes frente a forças públicas que apesar de contar com superioridade de armas específicas para contenção arruaças, e de disporem de vultosos investimentos sociais em treinamento e formação para enfrentamento de tais tipos de eventos  mostram-se ineficazes em evitar, ou debelar rapidamente essas agressões à sociedade.
  • Pouquíssimas fotos com grupos expressivos e homogeneamente compactos ou extensos de manifestantes pacíficos, expondo livremente opiniões ou slogans sobre os fatos motivadores da greve.
Essas manifestações não são suficientes para convencer ninguém da veracidade ou propriedade dos temas propostos para o movimento, nem de que suas lideranças se legitimam com reais intérpretes da opinião popular. Somente demonstram que tais lideranças se resumem a pequenos grupos possuidores de razoável capacidade para trazer tumultos sobre vida dos cidadãos ordeiros, além de suspeitável conivência de segmentos governamentais.

Não, nossos sindicatos são inadequados para representar verdadeiramente a opinião geral do brasileiro.

Esse tiro saiu no pé!

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

DEVO USAR TRANSPORTE PRIVADO PRÓPRIO?

Por : Paulo Tolentino de Souza Vieira
Administrador de Empresas - Aposentado
Tenho achado muito confortável e econômico andar de UBER, ou similares na minha cidade, ou em viagens prolongadas, em outras cidades.
Faço essa afirmação porque tenho analisado os pontos a seguir e comparado com a alternativa de usar um veículo próprio.
Por uma análise chamada de custo-benefício, pesaram, inicialmente, em favor desta opção, as vantagens imediatas de disponibilidade fácil, e o custo com a tarifa, que tem se mostrado muito mais vantajosa, pois, enquanto este serviço procura seu espaço no mercado, esta tem se sido bem acessível.
Numa visão mais pormenorizada, o uso do veículo de terceiros me dá as vantagens seguintes:
  • Não preciso envidar o esforço pessoal de dirigir, com os riscos que uma legislação, caracterizada como punitiva e severa, impõe a quem se “atreve” a fazê-lo. Voltei a esse assunto, ponto por ponto.
  • Me livro de multas de trânsito injustas (“pegadinhas”), uma despesa já considerada como certa, devido ao crescente rigor das autoridades e com instalação de radares que multam a torto e a direito, quem cometa ou não infrações. Quem não conhece alguém que foi multado injustamente nos últimos tempos? Mesmo costumando dirigir com todo cuidado, chego a fazer um pré cálculo, probabilístico, desse risco; considerando, por hipótese: Se cada 20 vezes que pego no carro, levo uma multa injusta, de, em média R$200,00, posso atribuir um custo, por vez, de R$10,00 (R$200,00 divididos por 20 vezes).
  • Não preciso procurar nem pagar por estacionamentos. Com os cartéis e outros tipos de "organizações" tão ativos buscando restringir os espaços gratuitos para estacionar, fica cada vez mais caro tentar usar o carro próprio.
  • Sempre desembarco na porta do local onde vou. Livro-me de longas caminhadas entre o ponto onde ficará o carro até o local a que me destino. Com isso poupo esforço, se houver chuva, me molho menos e, por outro lado, sinto-me um daqueles privilegiados (normalmente pessoal “da casa”, a quem se reserva os melhores espaços), especialmente quando vou a um serviços públicos.
  • Não entro em filas de “guichets” para pagar estacionamento ou para tirar ou renovar "cartão de idoso".
  • Não corro riscos de colisões ou roubo do veiculo assim, não preciso pagar seguro
  • Não tenho que investir tanto em renovação do carro.
  • Não gasto nada com combustível e muito menos com manutenção de um carro que permanece parado.
  • Não preciso renovar necessariamente minha carteira de Habilitação, com os consequentes custos exorbitantes, nem os riscos de esquecer a data e ter a despesa ampliada por multa específica e outras despesas acessórias.
  • Não me preocupo com engarrafamentos ou pistas ruins.
  • Fico com minha consciência livre, por não contribuir, mesmo que indiretamente, com as máfias dos operadores de estacionamento, do licenciamento de taxis, dos exploradores de flanelinhas, etc. etc..
  • Por falar em consciência, estou contribuindo para que haja menos carros nas ruas, como benefício imediato ao fluxo do trânsito, e menor emissão de gazes prejudiciais ao meio ambiente (qualidade do ar, efeito estufa, ruídos, calor, etc.).
  • Quanto ao IPVA, optando por ter um carro mais antigo, porem em bom estado, na garagem, apenas para situações excepcionais; o custo deste imposto poderá ser bem menor, pois para carros sempre novos, é bem maior do que para antigos e conservados.
  • Optando por vender e ficar sem carro próprio, melhor ainda, me livro completamente desse tributo, bem como dos custos da manutenção, de tempos em tempos, e ainda ponho uma “graninha” no bolso, que me ajudará a pagar minhas corridas em carros de terceiros, por muito tempo. É só fazer as contas, para saber quanto tempo!
  • Enquanto eu escrevia este texto, li no noticiário a possibilidade de greve nos postos de combustíveis. Pensei imediatamente; não preciso me preocupar com paralisações desse setor ou “lockouts” de cartéis de fornecimento. Isso passou a ser problema de quem irá me transportar! Não é meu mais, ufa!
Algumas vantagens no uso de um carro próprio:
  • Disponho imediatamente do carro, ao invés de ter que esperar, até 15 minutos por um carro de terceiros. Com o desenvolvimento de melhores aplicativos, esse tempo, certamente diminuirá!
  • Disponho sempre do mesmo modelo e marca, como sinal e prestígio e status social e além disso, posso administrar, ao meu gosto, a limpeza do veículo e a disponibilidade de acessórios internos, som, vídeo, gps, etc..
  • Disponho de espaço, no interior do veículo, para armazenamento permanente de alguns itens pessoais ou profissionais, tipo: livros, papeis, ferramentas, utensílios de trabalho, óculos de sol, etc..
Para o uso em passeios de fins de semana, para percursos maiores, ou em férias, para viagens, terei que escolher entre: usar o carro mais antigo e em bom estado que deixo na garagem, ou, se resolvi vendê-lo, terei que alugar algum, com a vantagem, neste caso, de ser sempre um novo, e no modelo mais adequado, para o estilo do uso a que me proponha. Neste ponto, uma avaliação, em separado, dos benefícios e respectivos custos deverá também ser feita, de acordo com as características de cada pessoa e momento.
Procuro sempre a melhor relação de benefícios e custos, com muita atenção para os custos indiretos, que cada vez pesam mais e mais e, nem sempre são visíveis de imediato!
Salvador, BA. 17/08/2016

terça-feira, 28 de abril de 2015

MEU PAI - OLDEGAR FRANCO VIEIRA - HOJE 100 ANOS



Meu irmão, Fernando Tolentino, pontua o centenário de nascimento de nosso pai com uma bela publicação no blog dele (http://blogdetolentino.blogspot.com.br) alusiva ao centenário do nscimento do nosso pai, Oldegar Franco Vieira.
Resolvi fazer um comentário pelo qual quero tambem prestar minha homenagem.
Oldegar era um homem de muita história e muitas estórias de tão interessante e envolvente personalidade que tinha.
Fernando fez uma belíssima sintese da vida, obra, feitos, publicações de livros e qualidades dele mas, se nos propuséssemos a nos aprofundar um pouco mais nos seus "causos peculiares" teriamos um material tão vasto quanto tempo dispuséssemos para vasculhar nossa memória. 
Como sabemos, eu e Dora (Dora Ramos), minha mulher, tivemos o honroso encargo de tê-lo próximo, como vizinho de frequencia diuturna, nos últimos anos. Por isso, assistimos com intimidade os seus derradeiros anos, o apogeu da sua manifestação intelectual. 
Mesmo percebendo o seu fim se aproximar, cego e muito surdo, não deixou de exercer o trabalho que mais se me assemelhava; meditar sobre o presente e o passado, fazendo conexões para o futuro. 
Assim, naquele estado, vivia pedindo que anotássemos seus pensamentos reflexões, planos, ensaios e poemas. 
Foi assim que exerceu, até seu último momento, a sua missão de vida, como pensador e mestre, passando, como fizera, ainda jovem, com Tia Jane (Joanna Angelica Vieira Ribeiro), hoje também haicaista renomada, no seu período final, para o meu sobrinho Iuri (Iuri Vieira) e sua mulher Gil (Gidalva Vieira), a arte do Haicai.
Simultaneamente, dizia ter, quase pronto, em sua mente, um novo livro biográfico sobre seu grande amigo e preceptor intelectual, Herbert Parente Fortes, além de estar planejando ainda uma outra obra, cujo cujo conteúdo não teve como nos revelar, tão ocupado que sempre estava  com suas coisa mais urgentes, do dia a dia. 
Meu pai, meu herói, trabalhou e produziu muito, até o seu fim.
Muita saudade!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

TERCEIRIZAÇÃO II

Recebi via WhatsApp a colaboração do amigo e advogado Washington Lopes.
Apresenta algumas abordagens novas ao tema já publicado, especialmente sob o ângulo jurídico, sua especialidade.
O amigo referido me autorizou a publicação como vai abaixo:


TERCEIRIZAÇÃO
Nossas  considerações à apreciação dos amigos:

Atualmente, a Súmula 331 do TST considera ilegal a terceirizacão de atividade-fim do empregador, permitindo a terceirizacão apenas nas atividades consideradas meio, ou seja, aquelas que, apesar de necessárias, não são inerentes ao objetivo principal da empresa. Se o Pl 4330/2004 for aprovado cairá a Súmula 331, hoje única defesa da terceirizacão sem limites. Os Ministros xo TST, a Associação Nacional dos Magistrados Trabalhistas, a OAB e a ABAT - Associação Baiana de Advogados Trabalhistas, já manifestaram a sua rejeição ao Projeto de Lei.
A Súmula 331 entende a terceirizacão da atividade-fim como uma maneira de o empregador intermediar mão de obra de forma fraudulenta  visando barateamento.  Com ela os trabalhadores conseguem vitórias na Justiça provando que exerciam atividades similares aos contratados diretos das empresas tomadoras dos serviços e os Juízes reconhecem o seu vínculo com a empresa, quando não a igualdade de direitos determinando o pagamento de benefícios previstos em Lei, Convenções Coletivas e regulamentos internos. Se o PL 4330/2004 for aprovado isso não mais ocorrerá.
Acabará também a RESPONSABIDADE SOLIDÁRIA do tomador dos serviços em  caso de fraude. O texto aprovado atribui às empresas tomadoras apenas papel secundário, ou "responsabilidade subsidiária" no  caso de pagamento de direitos em que houver discussão judicial do contrato.  No formato aprovado o contratante somente é responsável pelo pagamento dos direitos depois de esgotadas todas as tentativas de a contratada (a fornecedora da mão de obra) quitar suas obrigações, o que pode levar anos.

Pontos mais nocivos do Projeto:

- Empresas sem empregados:
O PL permite a existência de uma grande empresa sem empregados quando permite a terceirizacão de suas atividades-fim.

- Sem isonomia:
O PL defende igualdade apenas no direito à utilização de  banheiros, refeitório, ambulatórios e creches da empresa contratante.

- Quarteirizações:
O PL também permite que a empresa prestadora de serviços contrate outra empresa para determinadas atividades o que representa mais riscos aos direitos dos trabalhadores.

- Queda de qualidade:
Com salários baixos, alta rotatividade, jornada extensa e pouco treinamento os serviços prestados são de baixa qualidade.

- Mais acidente:
De cada 10 acidentes de trabalho 8 são com empregados de empresas terceirizadas.  Significa mais gastos previdenciariários e com a saúde pública,ou seja, toda a sociedade paga o preço que os tomadores dos serviços querem economizar.

Essas são as considerações que julgamos conveniente transmitir  aos queridos amigos.
Abraços do Washington.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

TERCEIRIZAÇÃO

Um assunto corriqueiro volta à polêmica!
Alguma instituição, que tenha a capacidade de contratar pessoas para execução das suas tarefas, necessárias ao cumprimento de seus objetivos, resolve fazê-lo usando a intermediação de uma terceira.
Sim, a intermediação institucional é o que caracteriza está prática, que passou, há muito tempo, a se chamar de "terceirização", sobre a qual nossos legisladores procuram agora estabelecer alguns condicionantes de controle em Lei.
Por que alguém optaria por colocar um intermediário impessoal, em algo que, em tese, tenha capacidade de executar diretamente? Sabe-se que a sua simples adoção já implica necessariamente em aceitar um acréscimo nos custos: aqueles relativos à coordenação e à justa lucratividade da instituição eventualmente contratada.
Mesmo num olhar simplista, já pode parecer que é algo que vem em oposição à busca de ganhos de produtividade, pois, sempre gera custos adicionais, que, se não forem devidamente compensadas por outros ganhos operacionais muito maiores, vão se somar, encarecendo o serviço a ser prestado. Uma análise deste ponto deve ser sempre feita, para que a opção aconteça sempre dentro de mínimos critérios econômicos lógicos racionais, quando claramente vantajosos para todos os envolvidos.
Utrapassada esta questão, puramente de cunho econômico, quando uma equipe terceirizada passa a cooperar, permanentemente, em ambientes onde também atuam grupos contratados diretamente pela instituição, passa a existir, quase na totalidade das vezes, uma discriminação entre pessoas que, embora com tarefas diferentes, concorrem unidas para um propósito comum maior, aquele desejado pela organização contratante, tanto os trabalhadores diretos, como os "terceirizados". Neste sentido, os melhores conselheiros de relações humanas são uníssones em considerar a impropriedade de se estimular qualquer tipo de discriminação, especialmente entre colaboradores que buscam interesses gerais e comuns.
Este aspecto discriminatório, já nocivo em termos da motivação das pessoas envolvidas, passa a acrescentar pontos agravantes quando a devida retribuição ao trabalho, se diferencia em natureza. Explico: Excetuando-se os benefícios trabalhistas mínimos legais, que devem obrigatoriamente ser os mesmos para todos, ainda se estabelecem outros, os quais, a prática mostra, vem sendo muito diferenciados e contribuem para estabelecer, num ambiente de trabalho comum, trabalhadores de categorias diferenciadas, influindo, mais ainda, no aprofundamento discriminatório. Refiro-me aqui a critérios de estabilidade, cobertura de planos de saúde e de previdência privada, uniformização e filiação sindical, que, na quase totalidade dos casos, existem para uns, inexistentindo ou diferenciando-se abruptamente para outros.
Outra questão importante é a transitoriedade contratual de certos serviços, que por sua natureza são permanentes, como, por exemplo, manutenção, limpeza, portaria, secretária, recepção, atendimento de balcão, etc.. Nestes e similares se colocam pessoas que deveriam ser motivadas, além de contra-prestações pecuniárias e utilitárias, por anseios de natureza mais duradouras, como ascensão de carreira e compromisso com os objetivos institucionais do trabalho. Num regime de tarefas sob prazos limitados e curtos, tais estímulos ficam extremamente dificultados e eventualmente soam mesmo como falaciosos.
Considerando todas essas desvantagens, devemos cuidar com redobrada atenção para que tal alternativa não mascare alguma tentativa de exploração pura e simples de "mão de obra“, tal como se fossem objetos que, numa prateleira, podem ser usados e descartados, quando não mais sejam úteis. Deve-se, portanto, rejeitar qualquer forma de pura exploração do trabalho humano, com pouquíssima ou quase nenhum comprometimento com o desenvolvimento pessoal do trabalhador, com análogos programas de treinamento e desenvolvimento profissional e humano, sempre promovidos por saudáveis organizações empregadoras, socialmente bem inseridas.
Para aqueles tipos de tarefas acima referidas por suas específicidades, onde não há diferencial tecnológico expressivo por parte da instituição prestadora, carece a existência de maiores ressalvas ainda quanto a existência de absoluta ética e lisura processual na contratação e operação, com severa vigilância entre as instituições concorrentes, para que não se abram espaços maiores, para a ocorrência das piores e abomináveis práticas concorrenciais.
Atualmente não é raro se verificar que a maioria de pessoal de atendimento à população, tanto no serviço público como no privado, além de condomínios, vem sendo composto de pessoas desvinculadas dos quadros funcionais dos órgãos promotores do atendimento. Isto vem mostrando maior descompromisso dos atendentes relativamente aos melhores propósitos desejados, transformando aquele contato interpessoal num emaranhado de desentendimentos, algo que vem se assemelhado com as perversas consequências dos "call centers" já, há muito, abominadas pela população.
Muitos sindicatos, com certa razão, vêm se opondo a generalização desta prática pois expressivos contingentes, em certos setores, embora nestes exercendo o seu trabalho efetivo, passam a ter filiação sindical desvinculada daquela categoria, com fragilização artificial da representatividade e fuga das conquistas trabalhistas já obtidas nos acordos daqueles setores.
Outro ponto de difícil aceitação é que, de modo geral, a terceirização serve para esconder eventuais desvios de natureza ética ou de produtividade, pois os trabalhadores operando neste regime, apesar de exercerem efetivamente o trabalho, como qualquer outro, podem, com facilidade, ser suprimidos das estatisticas relativas ao esforço humano aplicado, assim como as condições que o fazem.
Por todos esses argumentos, quando impossível de outro modo, e se desejamos contribuir para que nossa sociedade se caracterize crescentemente por relações de trabalho benéficas e estimulantes à prática do trabalho e consequente conquista do desenvolvimento, devemos cuidar, o máximo do nosso alcance, para que inexistam artifícios que venham estimular qualquer. forma disfarçada de subemprego.